Futuro do Pretérito

" Um teatro das minhas ousadias"

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Terra Blog

03.07.08

Razão do Paraíso

Marcelo Moro

uma menina ao sul da mulher
uma mulher no horizonte da menina
uma linda menina, punhal que me rasga
saliva que me salga, partida sem chegada

A dose certa na hora errada
o aroma do paraíso, a brisa
o vento que balança e frisa
seu cabelo que escorre, noite sobre os céus das costas


a razão do secreto desejo
ora desafio, ora esquecimento
o silêncio, o gemido contido no gesto
fico perto, olhando de longe

 

 

 

27.12.07

Fênix

Marcelo Moro

A cada vez que respiro, suspiro
Com o som único de cada um dos mil botões
Abrindo em dois o pano, cor de vinho, madeira
Que me revela quintas em flor, violões
Em canções de amor e presságios de guerra
Estúpida como qualquer guerra
Passível de ser vencida pelos querubins
Que habitam seus cabelos e suas flechas de fogo
Que aos poucos derramam luz do céu

E as vozes grossas e as patas pesadas de mil grosserias
Caem como estrelas devolvendo o caos
E a mão doce, de amor banhada
Recompõe as essências e cria os rios e jardins, perfumarias
E me olha acanhada, sofrida
E me faz crer que é preciso alquimia de nós
Deuses astronautas, pacientes seres viajantes do tempo
Amantes ao vento de um dia de sol

Soneto

Marcelo Moro

Não é apenas uma xícara de café meu chapa
É um mar escuro, é um vício, uma ficção
É companheiro na solidão
Inspiração do poeta

É um exagero, um orgasmo
Traz à tona pensamentos e paixões
Vence desertos com estimulações
Cachos de cabelos formando maremotos

E por falar em paixões e maremotos
Estimulações e orgasmos
Fecho contigo e faço votos

Que quando acabar, assim morra
Teu sabor em minha língua
E imagem doce dela como previsão na tua borra

24.11.07

Amo te

Marcelo Moro

Amo-te pleno e absoluto
Plexo, pélvico, total
Amo-te como o pássaro ama a primavera
Como a mãe ama a espera
Do filho que ainda brota no ventre
Amo-te pra sempre
E tanto e incontável e indizível
Não porque seja secreto
Mas por não haver palavras
Amo-te como vicio que não se acaba
Como brasa que ainda consome
Soprada pelo vento e se espalha
Amo-te como a terra em cio
Recebendo a semente e se molhando
E amando assim devolve frutos e sementes
Amo-te, ato continuo e eternamente
Feito dizima que não se acaba
Feito a expansão serena e infinita do universo
Amo-te silenciosamente e aos gritos
Com calma, com paz e com fúria
Com afeto, com amor, com tesão
Amo-te apertado feito nó
Cego, surdo, entregue
Amo-te, ponto. E só

Poema sem Nome

Marcelo Moro

Seu nome é tesão
Vento que atravessa a noite
Em brasa, raio e trovão
Eu vi seu nome escorrer pelos dedos

Poderia ter te feito rir à beça
Não fosse a pressa e a fome de te tocar a pele
Poderia ter te feito a mais feliz das mulheres
Não fosse essas coisas inexplicáveis da vida

Sei que te fiz o samba perfeito
O rock, minha criação mais ousada
Devassa minha imaginação a cor dos teus cabelos
Caídos molhados sobre teu dorso nu

Poderia ter te feito gozar em transe absurdo
Não fosse talvez o vacilo abusado de tirar as mascaras
Faltou pouco e o pouco que faltou foi o muito que feriu
Talvez ristes, arrepiastes, gozastes, gostastes e nem viu